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Juiz suspende lei que proíbe professores de opinar sobre religião e política em escolas de Jataí.
13/01/2018 - 2h10 em Politica

De acordo com a decisão, não é de responsabilidade do município regular sobre a atuação do educador em sala de aula, mas sim, da União.

 

O juiz Thiago Castelliano Lucena de Castro suspendeu, em tutela de urgência, a lei municipal que instituía o "Programa Escola sem Partido" e proibia os professores de opinar sobre religião, política e preferências morais nas unidades de ensino de Jataí, na região sudoeste do estado. De acordo com a decisão, não é de responsabilidade do município regular sobre a atuação do educador em sala de aula.

 

Segundo o magistrado, a regra aprovada pela Câmara dos Vereadores e sancionada pela Prefeitura de Jataí viola a Lei de Diretrizes e Bases da Educação, que regula sobre a conduta do professor.

 

“Apesar de conceitualmente ser possível distinguir as palavras neutralidade e política, na prática são indissociáveis, pois ensinar não nasce apenas da ciência, e sim da experiência social e ideológica do docente, embora estas não devam prevalecer. A Lei Municipal chegou a absurda de limitar a atuação do professor dizendo que apenas poderá abordar sobre a identidade biológica".

 

"Ou seja, questionado, em sala de aula, sobre homossexualidade, deverá responder que está proibido de tratar do assunto. Uma loucura coletiva!", diz na decisão.

 

A decisão foi expedida na terça-feira (9) pela 2ª Vara Cível e Fazendas Públicas de Jataí, acatando um pedido feito à Justiça pelo Sindicato Nacional dos Professores da Educação Básica, Profissional e Tecnológica, de suspender o “Programa Escola Sem Partido”. A suposta violação dos direitos fundamentais também é investigada pelo Ministério Público Federal em Goiás (MPF-GO).

 

Nossa equipe entrou em contato com a Câmara Municipal e Prefeitura de Jataí, às 6h desta quarta-feira (10), por telefone e email, e aguarda um posicionamento dos órgãos públicos sobre a decisão judicial.

 

A lei municipal proíbe os professores de passarem quaisquer conteúdos que possam estar em desacordo com as convicções morais e religiosas dos pais dos alunos. Além disso, o programa determina que o Poder Público não intrometa na orientação sexual dos alunos e veta a adoção de políticas de ensino que façam referência à “ideologia de gênero”.

 

Com informações do G1

 

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