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Pesquisa mostra a influência paterna no câncer de mama da prole
02/10/2017 - 19h33 em Saúde

Estudo é de uma pesquisadora do Centro de Pesquisa em Alimentos e ganhou Prêmio Tese Destaque da USP 2017

 

Com estudo que conseguiu demonstrar, pela primeira vez, a influência da dieta dos pais no risco de incidência de câncer de mama na prole feminina, a pesquisadora Camile Castilho Fontelles, doutora pelo Programa de Ciência dos Alimentos da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade de São Paulo (FCF/USP) recebeu o Prêmio Tese Destaque da USP 2017 na área de Ciências Agrárias.

 

Embora os machos contribuam com metade do genoma do embrião, só recentemente é que o potencial impacto das experiências paternas na saúde da prole passou a ser objeto de interesse. A pesquisa, orientada pelo professor Thomas Ong, do Centro de Pesquisa em Alimentos (FoRC – Food Research Center), prova que a dieta paterna influencia a saúde da prole.

 

“Acredito que a premiação se deve a vários fatores: a relevância da prevenção do câncer de mama é imensa, pois se trata de uma das doenças que mais matam mulheres no mundo todo. Creio também que o ineditismo foi muito relevante, pois fomos o primeiro grupo no mundo a demonstrar que a dieta dos pais pode influenciar as chances de suas filhas terem câncer de mama. Finalmente, acredito que o uso de um novo modelo de tese, que foge aos padrões tradicionais, foi outro fator relevante”, resume Camile, atualmente fazendo pós-doutorado na Georgetown University, nos EUA.

 

A tese é composta por dois artigos: o primeiro foi publicado na Breast Cancer Research (Paternal programming of breast cancer risk in daughters in a rat model: opposing effects of animal- and plant-based high-fat diets); o segundo será submetido para outra revista. “Há evidência de que a má nutrição paterna pode aumentar a susceptibilidade da prole a doenças metabólicas. Mas a influência de fatores paternos no risco de desenvolvimento de câncer de mama da prole feminina foi examinada em poucos estudos”, afirma Thomas Ong, orientador da Camile e coordenador do Laboratório de Nutrigenômica e Programação da FCF.

 

“É uma linha de pesquisa totalmente nova, um assunto inovador com o qual poucas pessoas no mundo estão trabalhando, e o trabalho da Camile teve um impacto internacional muito grande, inesperado até. Isso é muito importante para nós, do FoRC, porque nos coloca no cenário internacional de uma maneira bastante positiva”, avalia Bernadette de Melo Franco, diretora do FoRC.

 

Metodologia – Para entender como a dieta dos pais poderia vir a modular risco de câncer de mama em proles femininas, Camile e uma equipe de pesquisadores alimentaram ratos machos, antes e durante a puberdade, com duas dietas distintas, ambas com altos níveis de gordura: uma com base em banha de porco (rica em gorduras saturadas) e outra baseada em óleo de milho (rica em gorduras poli-insaturadas).

 

Em um terceiro grupo, controle, os animais foram alimentados com uma dieta controle, com níveis adequados de gordura. Esses ratos foram cruzados com fêmeas alimentadas com dieta comercial e, na prole feminina de 50 dias dos três grupos, alimentadas apenas com uma dieta comercial, foi induzido o câncer de mama.

 

A parte experimental durou cerca de um ano.

 

“As filhas dos pais que receberam dieta rica em gordura saturada apresentaram menor latência de tumor e maior crescimento e multiplicidade em comparação com as filhas de pais que consumiram dieta rica em gordura polinsaturada, o que não foi observado em relação às filhas dos pais que consumiram ração controle. A incidência foi o resultado mais marcante: nas filhas dos pais que consumiram dieta com alto teor de gordura saturada a incidência foi superior quando comparada tanto com o grupo controle quanto com o grupo que consumiu gordura vegetal”, diz Camile.

 

Segundo ela, originalmente os pesquisadores imaginavam que ambas as dietas (tanto a rica em gordura animal quanto vegetal) iriam contribuir para um aumento do risco do câncer de mama nas filhas. “Entretanto, descobrimos que a dieta de origem vegetal foi capaz de conferir um efeito protetor contra o câncer de mama nas filhas, pois, ao comparar a prole feminina de ratos machos alimentados com a dieta controle à prole feminina daqueles alimentados com óleo de milho, notamos que no segundo grupo houve diminuição do crescimento de tumores”, revela.

 

O professor Thomas Ong, do FoRC, reforça as correlações da descoberta de Camile com as demais pesquisas feitas pelo seu grupo, que se dedica ao estudo da nutrigenômica e origem fetal do câncer de mama. “Enquanto nos pais descobriu-se que uma dieta rica em saturados pode aumentar a incidência de câncer de mama nas filhas, o estudo com mães, conduzido por Fábia de Andrade, também doutora pela FCF, mostra que o consumo da gordura saturada durante a gravidez confere uma proteção contra o câncer de mama nas filhas.

Ou seja: os efeitos de programação do câncer de mama podem variar de acordo com o sexo.

 

Com informações das Agencias Internacionais.

 

 

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