Sexo, drogas, pulpitos e música gospel.
10/09/2017 - 19h22 em Música

Novos escândalos nos deveriam fazer refletir sobre a vida de quem sobe nos altares

 

Por Neto Gregório

A máxima “sexo, drogas e rock and roll” se tornou famosa na década de 1960, como parte do movimento hippie, que se espalhou por todo o mundo a partir dos Estados Unidos.

 

A mensagem de paz e amor apregoada pelos jovens de então mascarava um estilo de vida onde o “amor livre” – leia-se fornicação – e o “abrir da mente – leia-se abuso de substâncias – eram as palavras de ordem para uma sociedade que vivia uma encruzilhada moral.

 

Corta para o início da segunda década do terceiro milênio. No Brasil, artistas da música gospel, arrastam plateias comparáveis a qualquer um que faça sucesso no meio secular.

 

Alguns se tornaram pastores além de serem artistas. De tempos em tempos seu público fica chocado com a divulgação dos valores exorbitantes que eles cobram para “ministrar”.

 

Com o tempo, todos se acostumam e alguns passam inclusive a defender que cada cobre o que bem entender e quem não concordar, que não pague. Às favas com o que diz a Bíblia sobre a conduta de quem é separado para ser ministro de Deus, sob a alcunha de levita muitos desses artistas passam a viver uma vida luxuosa, ao melhor estilo “celebridade”.

 

Passam mais alguns anos e começam os divórcios, uma cantora-pastora separa aqui, um cantor-pastor separa ali (depois recasa, separa de novo, casa pela terceira vez) e não há quem os admoeste a buscar  o arrependimento.
Aqui e ali surgem fotos comprometedoras de cantores e relatos de artistas “do mundo” que recém-convertidos já preparam CDs com repertório gospel. Tempos depois, alguns voltam para o mercado secular.

 

Chegamos a 2017, dois casos “explodem” no meio evangélico nacional. Daniela Araújo, já separada de Leonardo Gonçalves, tem um áudio vazado onde mostra que faz uso de drogas. Passado menos de um mês, Jotta A tem um vídeo também vazado, onde aparece embriagado, ridicularizando quem ora em línguas.

 

Daniela preferiu não se pronunciar sobre o escândalo. Jotta A divulga uma Carta Aberta, onde admite o erro e pede perdão. Eles não são os únicos a terem problemas em suas vidas pessoais que afetem diretamente sua vida ministerial, apenas falamos deles por que são os casos mais recentes.

 

Obviamente, que por causa de alguns casos não se deve desmerecer todo cantor, cantora ou grupo gospel. Há muitos que são sérios e possuem um ministério genuíno, mostrando coerência entre sua vida pessoal e a vida ministerial. O mesmo raciocínio poderia ser aplicado a tantos pastores e pregadores.

 

Mas a improvável junção de “sexo, drogas e música gospel” se apresenta à Igreja brasileira no início do século 21 como um inegável “sinal dos tempos”.

 

Sem duvidar da conversão de ninguém, nem fazer generalizações, jogando todos na vala comum, voltemos às palavras de Jesus: “Guardai-vos dos falsos profetas, que vêm a vós disfarçados em ovelhas, mas interiormente são lobos devoradores. Pelos seus frutos os conhecereis” (Mateus 7: 15-16).

 

O Senhor falava aos seus seguidores. Começa esse trecho do Sermão do Monte dizendo que os cristãos não deveriam julgar. Muitos dos cristãos de hoje param de ler aí. Porém, Jesus continua, dizendo que os lobos viriam, e com aparência de ovelhas. Eles podem ser artistas, mas também pastores, ou ainda cantores-pastores.

 

Cristo não falava da forma, mas sim do conteúdo. É do interior da árvore que saem os nutrientes para que ela manifeste seu fruto. “Toda árvore boa produz bons frutos; porém a árvore má produz frutos maus. Uma árvore boa não pode dar maus frutos; nem uma árvore má dar frutos bons” (Mt 7:17-19), continuou Jesus.

 

É tempo de refletir sobre quem sobe nos altares, especialmente os que o fazem com altos cachês. O juízo virá se não na terra, no porvir, pois a promessa é essa: “Toda árvore que não produz bom fruto é cortada e lançada no fogo”.

 

Que Deus tenha misericórdia dos “artistas caídos” e principalmente da igreja que os cria e mantém, para que “sexo, drogas e música gospel” não se torne um slogan em nosso meio.

 

 

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