MP-PR e bancada evangélica tentam reverter liberação de cerveja nos estádios
31/08/2017 - 16h15 em Politica

Segundo o Ministério Público, decisão vai contra a lei federal, enquanto alguns deputados apelam pra manifestação da sociedade.

Na última quarta-feira (29), a Assembleia Legislativa do Paraná (Alep-Pr) aprovou em redação final o projeto de lei 50/2017, que libera a venda e o consumo de cerveja e chope no estádios do Paraná, restando, agora, apenas a sanção do governador Beto Richa para que a nova legislação entre em vigor.

No entanto, se depender do Ministério Público (MP-PR) e da bancada evangélica da Alep-Pr, tudo pode mudar.

 

As duas partes demonstraram repúdio à aprovação do projeto. Posicionamento que já havia sido expressado em carta enviada aos deputados por Dom José Antônio Peruzzo, Arcebispo de Curitiba.

 

O MP-PR é contrário à iniciativa, em função da inconstitucionalidade do projeto de lei, que fere a Lei Federal 10.671/2003 (Estatuto do Torcedor) e extrapola a competência privativa da União e dos Estados de, concorrentemente, legislarem sobre produção, consumo e desporto”, informa o órgão via nota oficial.

 

O MP ainda argumenta que a proibição se justifica pela “segurança das pessoas que frequentam os estádios” e destaca que tramitam no Supremo Tribunal Federal (STF) “Ações Diretas de Inconstitucionalidade contra leis estaduais de Espírito Santo, Bahia e Minas Gerais que têm o mesmo objetivo do projeto de lei paranaense, havendo nestes casos manifestação contrária da Advocacia Geral da União”, prossegue a nota.

 

Por fim, o Ministério Público relembra que governadores do Mato Grosso, Alagoas, Pará e Rio Grande do Norte já vetaram projetos similares ao que tramita na Alep-Pr.

 

“Não tem nada a ver com religião”, defende bancada evangélica. Um dos principais representantes da chamada bancada evangélica da Alep-Pr, o deputado Pastor Edson Praczyk (PRB) cita a união entre católicos e evangélicos contra a liberação da cerveja nos estádios como argumento para negar influência religiosa em seu posicionamento.

 

“É um retrocesso lamentável pelos danos que vai desencadear. É um assunto que não tem nada a ver com religião ou religiosidade, tanto que pessoas dos mais diferentes credos defenderam a não aprovação. Então, não tem nada a ver com religião, embora católicos e evangélicos tenham tomado a mesma frente”, argumentou.

 

Para Praczyk, apenas uma forte manifestação social contrária à sanção por parte de Richa pode reverter o resultado. “A PM tem estudos que mostram a diminuição da violência sem a bebida nos estádios. Então são estudos fantasiosos? O único caminho é que a sociedade como um todo se manifeste contra”, emendou.

 

Católicos

Dom José Antônio Peruzzo, Arcebispo de Curitiba, enviou uma carta aos deputados antes da segunda votação do projeto, na terça-feira (29), convocando “todos os católicos, homens e mulheres de boa vontade” a comparecerem à Assembleia para expressar indignação com a aprovação do projeto.

 

Polícias Militar e Civil

Via notas oficias emitidas por suas assessorias de imprensa, tanto a Polícia Militar como a Polícia Civil do Paraná não se posicionaram sobre o assunto.

 

 

As corporações afirmam apenas seguirem ordens de acordo com a legislação que estiver vigente.

 

 

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